25 de dezembro de 2009 at 0:45 (Poesia)

Disseram que era pra escrever poesia
Disseram que faz bem
No papel,
As angústias da alma
E tudo mais que dizem que é terapia

Acontece que poesia é coisa de bêbado
De bom humor
E de brincadeira

Tem um cara que disse
Que poeta finge
Finge que não sente a dor sentida

Diz-me então o que faz
O que sente a dor sentida

Esse aí não escreve não

Escrever é brincadeira
É jogar pro alto palavra
E chutar verso

Tristeza não brinca não meu senhor!
Tristeza é coisa séria!
Tristeza é coisa quieta que fica guardada no fundo da gente

Tristeza só finge que é palavra no analista
Analista é coisa séria
É dinheiro indo embora
Quem é que vai pagar
Pra não falar de coisa séria

Mas tristeza de verdade
Também coisa séria não é
Quem é que vai levar a sério
Um vivente que não é

Escrever, meu amigo,
É pra quem mente bem
Triste, triste mesmo
Virou ninguém

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Poema de mensagem de texto e ônibus andante

16 de dezembro de 2009 at 21:57 (Poesia)

Te amo que nem na estrada
A gente corre e fica com medo da freada
coração bate que nem martelo, de nervoso da curva fechada

A gente vai pra onde for
e quando chegar estica a perna e dá um abraço

Te amo que nem ouvir música no carro
Num sei pra onde eu to indo, mas o gostoso é do teu lado

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27 de abril de 2009 at 16:02 (Poesia)

I – Prelúdio – O mundo

O mundo estava em construção quando chegamos

Tudo era vermelho e brilhava ao sol

Era um barulho infernal

E o mundo subia sempre mais alto

A gente sentia uma certa agonia

(Era a subida, com certeza)

Umas borboletas no estômago que cismavam em voar pra fora da gente

E a gente vôa com o mundo subindo no elevador da pirâmide

O mundo lá em baixo é barulho

O mundo é sujeira e é amor

E a pirâmide fica cada dia mais bela

A gente quer pular

(Todos sabem, basta esquecer o chão que a gente não cai)

O pôr do sol é mais vermelho e mais emocionante com a fumaça

O contorno escuro dos guindastes e dos prédios

E as naves voam

Há rastros de fumaça branca refletindo

A luz que não chega lá em baixo

O mundo se construiu

Colocamos a vida em cada pedra

Em cada fogo

Em cada aço e carvão

A vida ficou cravada na terra

Ela está imóvel para toda a eternidade

O mundo sobe e vôa acima da escuridão

Lá em baixo a vida cria vida e mata a vida

Há algo de trágico na vida da escuridão

A escuridão se definha e se corrói

A paixão dos perdidos é a vida jorrando de uma ferida cheia de pus

E a violência é a beleza do mundo subindo pelas paredes

A vida do subterrâneo é explosão

A vida de quem faz a vida é o horror mais indizível

II – Tragédia

Eles criaram um belo mais que belo

A força é mais que a força de todos juntos

Somos mais potentes e mais humanos

E o mundo foge diante da grandeza do mundo

O super-homem chega queimndo a fumaça por entre os prédios

E sabe que passará

O mundo não lhe concede muito tempo

Queimará com a chama mais pura e invisível

Mataram o super-homem

A força acima da força

A inteligência acima da inteligência

Elas sabem como apagar o contraste sombrio, cor de quadrinhos

Do mundo vermelho pôr de sol

Negro cor de gente

Azul cor de sombra

Amarelo cor de cor, porque não há mais cor

A sabedoria daquele que vôa acima do sol quer chamas maiores que o sol

O vermelho acima da moldura negra

Matou aquele destinhado à vida efêmera

À paixão inumana da máquina viva

O sol acima deste mundo em podridão

Decidiu acertar a máquina do mundo

Matai o super-não-homem!

Ele não merece tomar nosso lugar!

Os astros hão de ser a vigilância eterna

O sol vai reger a terra por mil anos

E o mundo verá o homem depositar sob as pedras do mundo

A vida do homem

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